Um erro muito, mas muitíssimo comum na língua portuguesa é o uso de construções como "há 3 anos atrás". Todos já ouvimos isso. Pare seu dia por alguns minutinhos e ouça uma conversa. Alguém dirá "há sei lá quantos tempos atrás". É certeza. É vero. E se engana quem pensa que só iletrados fazem esse tipo de enunciado. O que acontece é que as frases desse tipo são o mais perfeito exemplo de erro, se analisadas sob a luz estritamente normativa. O verbo haver, assim empregado no sentido de decorrer de tempo, já indica um fenômeno passado, feito, consumado. Portanto, o "atrás" é reduntante e de tão desnecessário ao sentido essencial da frase, é uma infração.
Contudo, essa é uma forma muito arraigada culturalmente, na fala dos mais diversos andares da pirâmide social. O professor Sérgio Nogueira, no programa Estúdio i, da Globo News, atribuiu uma causa interessante a esse uso. Segundo o gramático, ninguém vê o agá nas conversas, o que motiva a inserção do "atrás" nos períodos. Assim, só se objetiva deixar mais expícita a mensagem a se transmitir.
A intenção é boa - dar mais clareza e ênfase à comunicação verbal, mas não assegura aceitação unânime na língua. Algumas gramáticas mais modernas já compreendem essa finalidade e aceitam os "há atrás", mas são minoria. Na concepção dominante, a das palavras da Normatividade, isso é um erro. E as palavras da Normatividade ainda são dominantes. Ainda.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Há muitos anos atrás nada!
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