segunda-feira, 6 de maio de 2013

Manifesto Abiláquico (mas só um pouco)

      Eu escrevo isso aqui porque sou contra a língua portuguesa. Pelo menos contra como ela é concebida e ensinada hoje.
       Nas gramáticas, no discurso de professores e nas escolas, se divulga um idioma: o português padrão, o português norma culta. Mas o que é essa língua que, apesar de ensinada e reensinada, é tão distante do cotidiano, que pouquíssimos conseguem aplicar com fins práticos (quem consegue, por exemplo, listar meia dúzia de partículas expletivas de designação)? A norma culta é, fundamentalmente, a "língua" própria da classe dominante e, justamente por isso, a que garante  prestígio social. No mesmo raciocínio, por garantir distinção, é a modalidade idiomática disseminada pelas instituições oficiais, com suas características palavras exóticas, rebuscadas, que truncam qualquer frasinha.
      Tal concepção elitista, unilateral de gramática é claudicante porque coloca o português num patamar inacessível à maioria da população, num Olimpo de vocábulos eruditos ao qual só pouquíssimos Perseus muito dedicados têm acesso.
        É aí que chego ao título. Um dos pioneiros dessa ótica quase segregacional da divulgação da linguagem como sendo só a norma culta foi Olavo Bilac. Não que eu sequer discuta a qualidade de suas obras, seus sonetos são áureos e irreproduzíveis em lirismo e construção mangnânimos, mas a sistemática de ensino por ele, principalmente,  desenvolvida é formal demais, douta demais, um exagero que torna difícil transmitir a todos - o que é o objetivo fundamental de ensinar, de fato, uma língua - o português.
         Eu sou veementemente contrário a preciosismos e erudições desnecessárias. A língua não deve ser engessada por regras intrínsecas e pomposas de sintaxe ou superlativos arcaicos derivados do latim;  deve ser dinâmica, compreensiva e compreensível, e, acima de tudo, acessível a todos. Por língua acessível eu significo o português com construções corretas - e, primordialmente, úteis - acompanhado do mais sublime trabalho possível com um léxico: a literatura. Eu não quero dar aulas, quero mais é dar dicas, divulgar e estimular o gosto pela língua portuguesa, seja em diletantes ou estudantes precisando de apoio. Pretendo passar  por tópicos relevantes desde fonética, morfologia, linguística até as obras e ideias de Gregório de Matos, José de Alencar, Machado de Assis e, com um carinho especial, do Poeta das Estrelas.
   Oswald de Andrade sintetizou o projeto disso tudo estabelecendo que a língua - em torno da qual se organiza a antropofagia - é o que nos une social, econômica e filosoficamente. Quero incentivar esse sentimento, pondo em xeque tudo que for ininteligível e elitista no idioma. Quero é democratizar o que, de fato, é de todos.

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